Você pode não ler todos os dias, não andar de bicicleta todos os dias, não falar com todos os seus amigos todos os dias e até, em casos extremos, não tomar banho todos os dias. Mas ficar sem se alimentar, inclusive várias vezes por dia, ahhh isso é muito difícil!
Mas, comer não é simplesmente matar a fome! Essa frase é da Roberta Sá, coordenadora do Movimento Slow Food no Brasil. Ela complementa a ideia ao afirmar que comer é ter prazer em se alimentar, comer é conviver, comer é saber de onde vem o alimento e como ele foi produzido. E realmente, se você parar para pensar nos bons momentos da sua infância, vai certamente se lembrar das refeições em família e da sua comida preferida feita pela avó, mãe, pai ou outra pessoa que representa afeto para você.
A revista Vida Simples desse mês de dezembro trouxe uma matéria fantástica cujo título é "A revolução começa no seu prato" com uma ideia com a qual concordo: "a refeição é uma das formas mais tangíveis de alcançar muitos dos conceitos da sustentabilidade; ela leva ao extremo o pensamento do aja localmente e pense globalmente, porque realmente consegue ter uma enorme influência na nossa vida e impactar nosso planeta".
Sabemos que dificilmente no corre-corre diário alguém percebe a relação sistêmica que todas as suas atitudes têm com as questões ambientais. Quando estamos no chuveiro tomando aquele banho gostoso, não nos vem na cabeça de onde vem a água que cai sob nossas cabeças ou qual o seu destino depois de usada.
Um outro exemplo muito simples é o ato de sentar-se à mesa para fazer uma refeição, algo que fazemos todos os dias mas distraidamente e com a cabeça com um milhão de ideias e problemas, não nos damos contato de que trata-se de um hábito de grande impacto sobre o meio ambiente e de que a adoção de uma alimentação saudável tem sim o poder de reduzir alguns danos que causamos à natureza.
Basta refletir ao menos uma vez no seguinte...afinal, de onde vêm os alimentos que estão no meu prato? Quem trabalhou para produzi-los? O que aconteceu com o solo onde foram produzidos? Foi preciso muita água? Como e com o que eles foram transportados e embalados? Se vão ficar na geladeira, de onde vem a energia necessária ao eletrodoméstico? Se eles foram cozidos, com o que se produziu as panelas?
Viu só? Uma simples refeição sua, seja ela um sanduíche ou uma bela macarronada, tem muita relação com outras pessoas e com o meio ambiente do qual você faz parte. Poderíamos continuar com uma lista infindável de perguntas e certamente elas teriam uma resposta relacionada ao meio ambiente e à sociedade.
É preciso reconhecer a necessidade de adotarmos uma alimentação mais saudável, em menor quantidade, com menos pressa, sem muita embalagem e claro, sem excessos e desperdícios.
É preciso reconhecer ainda que o cardápio do brasileiro precisa mudar a fim de que cada pessoa esteja bem consigo mesma, com sua saúde e, a partir daí, possa se preocupar com questões socioambientais. Encontrei no site da empresa Mãe Terra algumas informações muito úteis e interessantes sobre a nossa realidade alimentar:
Fique alerta aos fatos! O Brasil é hoje o país com maior consumo de agrotóxicos, alguns inclusive proibidos em diversos outros países campeões de produção agrícola; 39 milhões de quilos de alimentos são jogados fora todos os dias no Brasil, contudo cerca de 50 milhões de brasileiros vivem em condição de insegurança alimentar; a conscientização passa pela escolha dos seus hábitos alimentares, portanto busque entender mais sobre o movimento Slow Food, o semivegetarianismo e os processos de produção dos alimentos que você come.
Afinal, alimentar-se bem é um ato de amor próprio que pode reverberar em muitos sentidos. E, se você tem esse poder enorme de fazer uma revolução a partir do seu prato de todo dia, porque não começar já?
Abraços e bom fim de semana!

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