27 de junho de 2012

Travessia! Fernando Pessoa e a Rio+20

Já dizia o poeta...

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
A bela reflexão de Fernando Pessoa serve bem para o indíviduo. Traz inspiração para mudança de hábitos, para enfrentar e vencer os medos, enfim, para sair da zona de conforto, aproveitar o novo caminho, ousar e buscar algo melhor...sem arrependimentos.

Mas a reflexão do poeta também serve para um foco mais ampliado: a humanidade. Afinal, juntos, ou ao menos em maioria, é preciso optar por um novo modelo, um novo caminho desejado de desenvolvimento em que a nossa relação com os outros seres desse planeta e com o meio físico natural seja mais respeitosa e consciente.

Creio que dizer que a Rio+20 não teve bons resultados é injusto. Certo, certo, os resultados ficaram sim abaixo das expectativas. Isso é bem verdade. Vejamos então o contexto dessa situação: 

  • A Europa não está interessada em questões ambientais por conta da crise financeira que está enfrentando. 
  • Os Estados Unidos, em época de pré-eleição, não desejam adotar nenhuma medida que possa frear seu modelo de desenvolvimento. 
  • E mesmo os BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) não têm demonstrado muito interesse em debater com profundidade as questões que levam a atual crise que é sistêmica: financeira, ambiental, de segurança alimentar, de erradicação da miséria, de modelos de produção de consumo e muitos outros temas.
Faltou coragem? Ora, foram muitas as manifestações durante a Cúpula dos Povos! Faltou comprimisso? Ora, mas as empresas firmaram mais de 200 compromissos rumo as desenvolvimento sustentável! Então, o que faltou?


A meu ver, a crise que enfrentamos não é apenas ambiental, mas sim, sistêmica. Envolve a mudança de um modelo econômico de acumulação de capital nas mãos de poucos, envolve erradicar a fome e a miséria, envolve criar mecanismos de maior e mais efetiva participação social na tomada de decisões...e por aí vai.


Muitas são as boas iniciativas isoladas já inventadas, iniciadas, adotadas, etc. A questão é complexa e demanda, além de inteligência social, muita coragem de cada um de nós para mudar hábitos próprios e também nos associar uns aos outros para trilhar um novo caminho. 


Afinal, como diz o poeta... se não ousarmos fazer a travessia, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos (como humanidade!).
Grande abraço,


Hellen

14 de junho de 2012

Rio+20, aí vamos nós!

Até essa manhã eu já havia decidido que não iria à Rio+20. Contudo, minha amiga Marcella me "apurrinhou" bastante com a frase "acho que você está perdendo um p... oportunidade"e mais uma porção de outras palavras e olharesde indignação rsrsrs

Daí veio aquela confusão vou/não vou, vou/não vou, vou/não vou...Conversa no telefone aqui, troca mensagem ali. Pronto, encontrei uma passagem aérea pagável, o que já foi um bom incentivo para decidir. Mas o maior incentivo mesmo veio do maridão Marcelo que mesmo viajando a semana toda e nós dois morrendo de saudade, me disse "não precisa esperar mais 10 anos para a próxima grande Conferência"...rs. 

Como dizem em Recife, terra da Marcella, "pronto!"

E sobre a Rio+20, aí vai um breve texto que escrevi há alguns dias. Novidades na próxima semana. Valeu Amorcelo e Marcellinha!

Vários estudos recentes apontam que a sociedade humana está vivendo além da capacidade do Planeta de prover recursos naturais, sendo que atualmente mais de 60% dos serviços ecossistêmicos e biodiversidade estão degradados ou comprometidos do ponto de vista da sustentabilidade, com efeitos negativos para o bem-estar, saúde e segurança para as pessoas.

Fato é que não existe solução simples para a atual crise ambiental. O comportamento humano precisa ser visto não só como parte do problema, mas também como parte da solução, considerando-se inclusive a necessidade de reorganização social. Há muitas décadas são discutidas ações e acordos para que essa realidade mude. Muito já foi feito, mas sem dúvida alguma, ainda há muito por fazer.

Diferente da Eco 92, em que foram firmados importantes acordos de ordem socioambiental (Convenções do Clima, da Biodiversidade e da Desertificação), a previsão é de que a Rio+20 seja uma conferência mais política do que executiva e que sirva de ponto de partida para um novo e longo processo de discussões internacionais focadas no desenvolvimento sustentável.

Os principais temas macro a serem tratados na Rio+20 são "economia verde" e "governança", o que se traduz pela necessidade de encontrar formas de desenvolvimento socioeconômico que respeite os limites do planeta e os direitos humanos, e também que as instituições nacionais e internacionais sejam capazes de implementar as ações necessárias.

A premissa fundamental é a de que todos os seres humanos dependem direta ou indiretamente da natureza e dos serviços providos pelos ecossistemas para terem condições a uma vida decente, saudável e segura. Afinal de contas, como já afirmou o biólogo Edward O. Wilson, a humanidade não se definiu pelo que criou, mas por aquilo que ela escolheu não destruir.
Conheça os principais avanços feitos nos últimos 40 anos:
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