Já dizia o poeta...
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
A bela reflexão de Fernando Pessoa serve bem para o indíviduo. Traz inspiração para mudança de hábitos, para enfrentar e vencer os medos, enfim, para sair da zona de conforto, aproveitar o novo caminho, ousar e buscar algo melhor...sem arrependimentos.
Mas a reflexão do poeta também serve para um foco mais ampliado: a humanidade. Afinal, juntos, ou ao menos em maioria, é preciso optar por um novo modelo, um novo caminho desejado de desenvolvimento em que a nossa relação com os outros seres desse planeta e com o meio físico natural seja mais respeitosa e consciente.
Creio que dizer que a Rio+20 não teve bons resultados é injusto. Certo, certo, os resultados ficaram sim abaixo das expectativas. Isso é bem verdade. Vejamos então o contexto dessa situação:
- A Europa não está interessada em questões ambientais por conta da crise financeira que está enfrentando.
- Os Estados Unidos, em época de pré-eleição, não desejam adotar nenhuma medida que possa frear seu modelo de desenvolvimento.
- E mesmo os BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) não têm demonstrado muito interesse em debater com profundidade as questões que levam a atual crise que é sistêmica: financeira, ambiental, de segurança alimentar, de erradicação da miséria, de modelos de produção de consumo e muitos outros temas.
A meu ver, a crise que enfrentamos não é apenas ambiental, mas sim, sistêmica. Envolve a mudança de um modelo econômico de acumulação de capital nas mãos de poucos, envolve erradicar a fome e a miséria, envolve criar mecanismos de maior e mais efetiva participação social na tomada de decisões...e por aí vai.
Muitas são as boas iniciativas isoladas já inventadas, iniciadas, adotadas, etc. A questão é complexa e demanda, além de inteligência social, muita coragem de cada um de nós para mudar hábitos próprios e também nos associar uns aos outros para trilhar um novo caminho.
Afinal, como diz o poeta... se não ousarmos fazer a travessia, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos (como humanidade!).
Grande abraço,
Hellen

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