- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves
esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
(Antonie de Saint Exupéry)
(Antonie de Saint Exupéry)
Sempre gostei de observar flores e plantas, mas nunca fui muito de cuidar delas, até começar a ganhar algumas, tê-las por perto, cativá-las e ser responsável por elas.
Apesar disso, sempre gostei muito do contato com a natureza, de sentir cheiro de mato, de estar no fundo do mar com os peixes. Aliás, essa prática de contato com o meio natural sempre foi incentivada pelos meus pais e acredito que isso me ajudou muito a me sentir responsável pelo meio em que vivo, pela vida que me cerca e da qual eu sou parte integral.
Uma das melhores lembranças que tenho do meu saudoso pai é o cuidado que ele tinha com as suas árvores de estimação - um pinheiro e uma parreira, além do zelo pelos bichos.
Muito me preocupa a falta de percepção das pessoas quanto aos impactos dos seus atos e escolhas de consumo, estilo de vida.
No livro Nós e a Natureza, Emílio F. Moran afirma que a "dicotomia cartesiana entre homem e natureza é uma idéia específica da sociedade ocidental, não necessariamente partilhada por outras culturas. A maior parte dos povos do mundo não exterioriza a natureza dessa maneira. Ao contrário, considera o homem como parte da natureza".
É preciso reconhecer que o modelo econômico atual não favorece a vida. Alguns cientistas criam armas capazes de eliminar a vida do planeta, enquanto alguns químicos abusam da tabela periódica e criam substâncias que não podem ser processadas pela natureza. Do mesmo modo, as pessoas continuam a consumir além do que necessitam. E o problema não é só o fazer, mas não reconhecer que o que se faz tem importância para o meio em que vivemos.
Cuidar da natureza não é algo que se faz sozinho. Sou realista, mas também acredito na mudança.
Como diz o Emílio F. Moran, "deve existir alguma parceria de confiança entre as comunidades humanas, ligadas por pactos que favoreçam a vida em oposição à acumulação material, que favoreça a dignidade dos membros da comunidade e a satisfação por se cuidarem mutuamente e da natureza como um bem maior. Precisamos reconceituar nossas relações mútuas e com a natureza, e nos considerar partes orgânica dela."
Como essa mudança requer mais do que mudar apenas forma de pensar e agir, requer sim mudar valores, essa batalha não vai ser nada fácil.....
Nenhum comentário:
Postar um comentário